12 de Junho de 1990 – Começo de noite – Dois atrás, dois na frente, no Fiat 147 do pai do Voadora…
– E se o Zarolho for um dos matadores de aluguel do bando do Zé Laranja?
– Não viaja, Ivo! Ele não teria a confiança do Seu Manuel se fosse bandido.
– Aposto que ele está indo pra casa descansar. Esse negócio dele desaparecer no dia dos namorados deve ser coincidência. Vocês são loucos!
– E você precisa recuperar o humor urgente. Desde que o Kiko viajou você está assim. Uma hora você vai ter que esquecer.
– Alê, menos…
– Rápido, Voadora! Olha o farol, velho. Vai fechar.
– Era o que faltava perder o Zarolho de vista…
– Toma cuidado pra ele não ver a gente…
– Não cola muito na rabeira…
– Mas também não vai nessa lerdeza porque senão já era.
– Pelo visto ele vai longe, hein?
– Bom, pelo menos agora a gente já sabe que pra casa ele não está indo.
– Será que o Zarolho tem uma namorada e esconde ela de nós?
– O dia que o Zarolho arranjar uma namorada, será manchete de jornal.
– Deixa de maldade, Ivo. Toda tampa tem a sua panela.
– Queria saber por onde andam as panelas, viu? Pra todo lugar que eu olho só tem tampa.
– Pior eu, que devo ter nascido frigideira.
– Depois eu que sou a mal humorada… Eu, pelo menos, ainda acredito no encontro das tampas com as panelas.
– É mesmo, Mariluzinha? Então que tal a gente se apertar pra ver se encaixa?
– Não seja nojento, Ivo. Três anos de amizade deveriam ser suficientes pra você largar do meu pé. Eu sou sua amiga, amore. Acostume-se com essa
idéia.
– Homem que é homem não desiste nunca. Nem das amigas.
– Homem que é homem não tem amigas.
– Começou o papo machista…
– É sério, Alezinha! Esse papo de homem com muitas amigas é coisa de boiola.
– Não viaja, Ivo! Zarolho, por exemplo, considera a Alê e eu as melhores amigas dele.
– Caracá!
– O que foi?
– Será que o Zarolho é gay?
– Claro, que não!
– Acho que não… Ele teria contado pra um de nós.
– Duvido! A gente tira sarro de todo mundo. Ele ficaria com vergonha de contar.
– Ele também tira sarro. Uma coisa é zoar os amigos, outra é não confiar. Ele teria contado sim. Acho que qualquer um de nós contaria se fosse gay.
– Eu contaria.
– Eu também.
– Eu só contaria se vocês duas deixassem eu tomar banho com vocês.
– Vai a merda, Ivo!
– Que avenida é essa? Onde esse cara está indo?
– Ele tem amigos ou parentes nesse bairro?
– Que eu saiba não.
– Eu também não sei.
– Por que é que ele passa tão devagar perto dos pontos de ônibus?
– Tem traveco por aqui?
– Ivo, dá um tempo!
– O que é aquilo? O que ele está fazendo?
– Parece que vai pedir informação…
– Um ovo! Um ovo! Tem um ovo na mão dele!
– Meu! Zarolho, cheirou cola? Que foi aquilo?
– Acelera, Voadora! Acelera! Vai perder ele de vista.
– Que foi que ele fez? Eu não vi!
– Ele tacou um ovo no casal? Foi isso?
– Olha lá, olha lá! Tacou mais um!
– Em outro casal!
– Cara, Zarolho pirou! Tá lascando ovo em tudo que é casal de namorados…
– HAHHHAHAHAHHAA!
——————————–>>> Continua, mas acaba logo.



Escrito pela Alê Félix
13, junho, 2004
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Fim de tarde – 12 de Junho de 1990 – Entediados, irritados e cuidando da vida alheia…
Que o Zarolho trabalhava todo santo dia na padaria do Seu Manuel, todos nós sabíamos. O que ninguém sabia era onde é que ele se metia no dia dos
namorados. Aquela era a única data do ano que ele pedia para sair mais cedo do trabalho. E nenhum de nós da turma entendia porque.
– Não é possível, Voadora! O cara nunca teve uma namorada, disputa há anos o título de mais-feio-do-mundo com o Boca-Lôca e…
– Ah, pára Ivo! O Boca-Lôca, nem é tão feio assim.
– Concordo com a Marilu. Boca-Lôca não é feio, não. O que ele precisa é de uma namorada para ensiná-lo a pentear aquele cabelo. Só isso.
– Alê, você é suspeita. Depois que ficou com o Napão, não tem
mais moral nenhuma pra falar de beleza.
– Ai, ai… Voadora, vem cá meu nego. Vem cá e presta atenção desta vez: me esquece, belezura! O Napão dá de dez em qualquer um de vocês. Além do
mais, você pensa que está podendo, mas não está com essa bola toda não, viu?
– Lindona, olha aqui… olha aqui… Percebeu a cútis? Eu sou um pão, minha filha!
– Pronto, começou… Bom, antes que vocês dois comecem a brigar, a gente vai ou não vai seguir o Zarolho?
Ouvimos a pergunta da Marilu e olhamos mudos um para o outro. Parecia maldade seguir o Zarolho só de curiosidade, mas ele estava pedindo. Aquele era
o terceiro doze de junho consecutivo que ele sumia sem explicações. Nunca na vida dele houve uma namorada, uma paquera, um teretetê mal resolvido,
nada! O rapaz não saía da padaria. Ele era mais do que um funcionário dedicado; seu único tesão parecia ser a arte de fazer pães. Por que então, só
naquela data, ele quereria uma meia-folga?
– Eu não sei quanto a vocês, mas eu vou. Estou solteiro mesmo…
– Com essa cútis e solteiro, Voadora? Uau! Inacreditável! Como conseguiu esse feito?
– Do mesmo jeito que você não consegue segurar um namorado por mais de seis meses.
– Pra mim deu, moçada. Não vou passar a noite com esses dois se alfinetando. Já é deprê demais sobreviver às cobranças dessa maldita data.
– Oh, Marilu, minha loira… Se o problema é um namorado pra hoje, eu sou todo seu. Pode usar e abusar do meu corpinho até o sol raiar. Pode até me
chamar de Kiko que eu não ligo.
– Se liberta, Ivo… E se falar do Kiko mais uma vez eu quebro seu nariz.
– Uhhh! Esse seu lado “justiceira violenta” me deixa louco…
– Olha, lá, olha, lá! É o Zarolho. De novo saindo mais cedo… Não falei? Tem coisa aí.
– E então? Vamos ou não? É agora ou nunca.
– Mas ele está de carro… Como é que a gente vai seguir o cara?
– Eu tô com o carro do meu pai.
– Eu não posso voltar tarde…
– Ele não deve ir longe. Acho que é jogo rápido.
– Então, estamos esperando o quê?
Entramos no carro. Eu, Marilu, Ivo e Voadora. Quatro tristes e desocupados solteiros no dia dos namorados. Quatro enxeridos tentando descobrir porque
diabos o Zarolho tomava um chá de sumiço em um dia tão sugestivo como aquele.
————————->>>>Continua, mas acaba logo.



Escrito pela Alê Félix
12, junho, 2004
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Em breve, ainda não sei quando, eu volto a abrir o chat. Ando com muito trabalho e agora, pra piorar, inventando moda. Enquanto isso, anotem meu ICQ:
311320340. Quando os chats noturnos voltarem, eu faço um spam por lá e aviso. 8-))



Escrito pela Alê Félix
12, junho, 2004
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Tenho esta mania. Cismo com o trecho de uma música e passo dias cantarolando a mesma parte. Me transformo no disco furado ambulante… E não me
pergunte o que quer dizer disco furado. Não bastasse repetir dentro de mim a todo instante, esta música me faz chorar por nada e expõe a fragilidade
que eu me arrebento para esconder.
Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho…
Caetano Veloso – Você não me ensinou a te esquecer.



Escrito pela Alê Félix
10, junho, 2004
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Sue Johanson é o tipo de pessoa que eu quero ser
quando crescer. Para quem não sabe, Sue é uma senhora de setenta e
poucos anos que apresenta um programa chamado “Falando de Sexo com Sue
Johanson”. Em um universo de aberrações que exploram o tema, ela
esclarece dúvidas sexuais das mais simples às mais complexas com a
delicadeza, honestidade e sabedoria que a maior parte das pessoas perdeu
por polemizar demais e contribuir de menos. Sue – nas entrelinhas de
suas respostas – aposta no amor, na cumplicidade, na diversão e no
prazer. É uma senhora deliciosa de ouvir, dessas que a gente tem vontade
de ter ao alcance para chorar as mágoas, pedir conselhos e seguí-los de
olhos fechados, porque suas palavras estão acima do seu conhecimento.
Quando eu crescer, definitivamente, quero ter a clareza, sensibilidade e
objetividade de Sue Johanson. Talvez porque ela traduza sexo da forma
leve e alegre que eu gosto de ouvir; ou talvez porque, no final das
contas, eu concorde quando ela tenta explicar – com outras palavras –
que é um desperdício passar pela vida sem conseguir descrever
didaticamente o que é um orgasmo, que conversar e conhecer a pessoa que
a gente transa não deveria doer mais do que assistir à programação de
domingo dos canais abertos e que o mundo seria do caralho se a gente
relaxasse mais e pirasse menos com os nossos medos, preconceitos, lista
de exigências e valorização da vergonha (seja por excesso ou falta). E
eu nem sei mais se estou falando de sexo, da vida, das pessoas ou de Sue
Johanson, mas, por via das dúvidas, acho que é melhor avisar que esse
post é proibido para menores de dezoito anos. Quem sabe assim, evito
acusações de postar conteúdo impróprio. Cada uma que me aparece…



Escrito pela Alê Félix
9, junho, 2004
Comentários desativados em Sue Johanson
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Lembram que eu fiquei de mandar um convite do orkut para quem quisesse? Alguém deixou
de receber? Alguém ainda quer? Mandei pra todo mundo que pediu, mas como
aquilo vive dando pau…
Bom, última chamada, quem quiser já sabe: nome, segundo nome e e-mail
aqui nos comentários.
A parte boa de mandar convites – sem regulagem – é que eu vi a carinha
de uma porção de pessoas-comentários. Gente que eu sempre lia por aqui e
que eu adorei ver as bochechas. Muito legal. Tão legal que eu estou até
revendo minha opinião sobre a brincadeira… 😐
Isso que dá escrever na hora da bronca.



Escrito pela Alê Félix
4, junho, 2004
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Agora há pouco estava lendo o blog da Rosana
Hermann
e fiquei super curiosa para assistir o programa Receitas da
Vida
que será apresentado neste sábado (05 de Junho).
Mexe daqui, navega dali, passeei até pelo blog do
programa
.
Eu se fosse você, não perderia.
Assista: RedeTV, sábado, das 3:45 às 4:15, depois do TV Cut.

logoreceitas.gif



Escrito pela Alê Félix
3, junho, 2004
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Daniela
Abade
, Sérgio Rodrigues, Vanessa Marques, Alex Antunes, Paulo
Roberto Pires, Cecília Giannetti e João Paulo Cuenca estão no Cadeia de
Palavras
.
Não deixe de conhecer.



Escrito pela Alê Félix
3, junho, 2004
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