Eu nasci com os pés tortos mas, com o passar dos anos, aprendi a pisar firme para escorregar menos.
Nasci cheia de medos, mas aprendi a controlar o choro e a esbravejar discursos de coragem para não demonstrá-los.
Aprendi a falar rápido e a andar rápido, mas demorei muito para sorrir.
Eu parecia frágil. Eu sou frágil. Superei a falta de força física com a aparência de pessoa forte.
A maior parte das pessoas me assutava, mas olhei tanto pra elas que percebi que elas tinham tanto medo quanto eu.
Enlouqueci durante muitos anos com a falta de respostas, mas criei minhas próprias verdades para sofrer menos.
Eu me sentia presa, amarrada em laços umbilicais. Precisei desatar os nós e fugir um pouco, para descobrir que alguns vínculos são eternos e que
podem ser menos prejudiciais do que julgamos.
Eu quis crescer, sempre quis ser gente grande. E, na tentativa desesperada de olhar nos olhos do destino, cresci tão rápido que do passado só guardei
cicatrizes.



Escrito pela Alê Félix
6, junho, 2003
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Para o dia nascer feliz
Um dia marcamos de nos encontrar; eu, duas das minhas pessoas mais queridas e eles dois.
Eles eram muito amigos, amigos de longa data e tão adoráveis como eu os havia imaginado. Pelos dois, de imediato, senti um grande afeto. E é bem
provável que este seja o motivo pelo qual ela me intrigava tanto. Também tem o fato de que eu penso sobre as pessoas, sabe? Mesmo quando não as
conheço, eu gosto de olhar para elas. Posso passar horas, só observando, imaginando quem elas são, o que sentem e porque sentem.
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Escrito pela Alê Félix
4, junho, 2003
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Os caminhos que eu atravesso são escuros. Nenhuma luz, nenhum sinal. Sozinha, sinto somente uma leve intuição.Uma intuição cega e apaixonada que
muitas vezes faz com que eu me perca, mas nunca que eu me arrependa.



Escrito pela Alê Félix
3, junho, 2003
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A fase agressiva, pessimista e mal-humorada está indo embora. Junto com ela, alguns medos, montes de palavrões e socos no vento…
De repente os dias tornaram-se mais intensos do que as palavras. Preciso vivê-los na sua totalidade ao invés de questioná-los ou racionalizá-los. Não
quero escrever por enquanto, mesmo sabendo que estou cheia de coisas bonitas passeando pela mente. Quando meu coração sossegar, e ele sossega rápido,
eu volto a escrever.
Ah! Não, eu não tomei as cápsulas da felicidade. 😉



Escrito pela Alê Félix
31, maio, 2003
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Eu sempre gostei de homens altos. Nunca me importei se eram loiros, negros, morenos, ruivos ou a cor que fosse, contanto que fossem grandes. Hoje não
é uma regra, mas já foi. E foi uma regra tão clara que precisou de um belo espécime de estatura baixa para me convencer a praticar a flexibilidade.
Eu tinha quinze anos e ele, além de ser meio palmo mais baixo do que eu, era o cara mais narigudo da face da terra. Desses que a escola inteira tira
sarro, ouve sempre as mesmas piadas imbecis e ainda ri da falta de criatividade dos que precisam desesperadamente comentar os detalhes que fogem dos
moldes sociais. Sabem como é? Devem saber. Todo mundo já cruzou uma figura dessas na vida. O mundo está repleto de babacas loucos para manifestarem a
sua preciosa opinião sobre o rabo do outro.
Pois muito bem… Um belo dia, como sou dada a uma boa conversa, descobri que este rapaz – o baixinho narigudo – era simplesmente o charme em pessoa.
Ao contrário da maior parte dos garotos de quinze anos, ele era agradável, sedutor e observador. Um Dom Juan capaz de deixar qualquer garota babando
depois de algumas horas de conversa. Infelizmente, o descobri tarde. Talvez por influência das malditas piadas dedicadas a ele. Mas, como eu sempre
dizia, antes tarde do que sem a história e acabei aceitando o convite para estudarmos matemática no fim de semana.
Depois de um trabalho escolar exaustivo, eu estava de queixo caído com a inteligência do menino. Pensei em ir embora antes que eu começasse a dar
bandeira do meu interesse, mas não teve jeito. Aceitei mais um convite. O inusitado convite para ajudá-lo a lavar o carro da família.
Rimos, desperdiçamos água, sabão e tempo. Ouvi U2 com menos resistência, dividimos teorias e nos divertimos com histórias infantis. No final, com o
carro lavado, encerado e guardado na garagem. Ele delicadamente me convenceu a continuarmos o bate-papo e a audição das fitas dentro do carro. Foi um
fim de tarde tão agradável que, quando eu vi, estava completamente envolvida pela lábia, beijos, abraços e nariz… que nariz!
– Como é que os garotos da escola podem falar tanto de você?
– Eu não me importo. Deixei de me importar no dia que eu percebi que as pessoas falam dos outros para que ninguém fale delas.
– Mas não te incomoda?
– Não, não mais. Quando eu era pequeno foi difícil. Precisei bater e apanhar muito na escola para entender essa perversidade que existe dentro da
gente. Hoje em dia é quase um elogio… O cara primeiro tenta denegrir a minha imagem com um papo besta de nariz, depois ele tem que engolir o fato
de que, mesmo ele se achando melhor do que eu, minha vida é muito melhor que a dele.
Daquele dia adiante, passei a olhar a beleza por um outro prisma. E toda vez que lembrava dele, pensava como suas características físicas foram
importantes para que ele se tornasse o homem que se tornou. Seu charme, inteligência e precocidade operaram milagres em algumas mentes fúteis. Lista
na qual eu me incluo com orgulho e saudade. Saudade de um Cyrano de Bergerac que nasceu sob medida para mulheres que aprenderam a desfrutar da sua
compainha. A pouca altura e o excesso de nariz fizeram com que ele desenvolvesse a perfeição que, provavelmente, não existiria se ele tivesse nascido
perfeito.



Escrito pela Alê Félix
29, maio, 2003
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Tem algum especialista em astrologia por ai? Estou começando a achar que o meu problema é astral.
Se eu continuar assim mais uma semana vou apelar para algumas cápsulas de felicidade instantânea. O foda desses comprimidos é que eles podem enganar
a mente, mas não enganam meu estômago que fica irritado só de imaginá-los.



Escrito pela Alê Félix
28, maio, 2003
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Estraga prazeres
– Chega. Eu não vou mais nesta festa.
– Vamos-sim-senhora. A senhorita combinou com seus amigos, agora nós vamos.
– Meus amigos? É o fim da picada. Todos os meus amigos são seus amigos também.
– Não o Marcelo Antony…
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Escrito pela Alê Félix
28, maio, 2003
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Vou ver Matrix Reloaded, porque estou de mau-humor e este deve ser o único horário que o cinema não abarrota de nerds seguidores da bíblia matrix,
adolescentes pentelhos que arremessam pipoca no cabelo dos outros e
baba-ovos vestidos de sobretudo preto.



Escrito pela Alê Félix
27, maio, 2003
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