Conheci o Murilo na sala de espera do dentista. Ele era insuportável, o garoto mais insuportável e metido a besta da face da terra. Bonitinho, é
verdade. Bonito e atentado. Tinha prazer em me infernizar e, como eu sempre careci de paciência, toda quarta-feira era um “Deus nos acuda”. Quando
acabou meu tratamento, foi um alívio. Morávamos no mesmo bairro, mas não encontrá-lo, obrigatoriamente, era uma benção. Passou um mês, dois, três,
seis meses e nada de reencontrar o Murilo.
Na véspera de completar treze anos, ganhei uma Monark BMX dos meus pais. Viciada em bicicleta do jeito que eu era, passava a maior parte do dia na
rua: eu, a Lu, a Tieta, o Pulga, o Ferrugem, o Pescoço e o Voadora. Dia e noite apostando corridas, incrementando as bikes, aprendendo acrobacias,
rindo… até o dia que o Pulga trouxe para a turma dois novos garotos; o Ivo e o Murilo. Logo que eu vi o Murilo, pensei: “Pronto, vai começar tudo
de novo!”
Minha primeira reação foi tentar ignorá-lo. Já a dele foi embasbacar. O olhar, o jeito, a expressão do rosto, tudo nele estava diferente. Não zombou
de mim, não fez piadas de mau gosto, não me atormentou nem por um segundo. Abobou tanto que eu achei que ele tinha caído e batido a cabeça. Na
dúvida, mantive minha tática de defesa. Ele puxava conversa, eu desconversava, ele empinava a bike, eu virava os olhos, ele fazia graça, eu respirava
fundo e prendia a gargalhada na garganta. Ele pediu para o Ivo me contar que ele estava gostando de mim e eu… eu? Eu não acreditei. Não podia
acreditar!
Bem ou mau, o Murilo era um menino lindo. Lindo, lindo, lindo. Uns olhos azuis brilhantes que persuadiam qualquer coração infanto-juvenil. Suas
brincadeiras, sua energia inesgotável, tudo nele era fascinante. É certo que ele me irritava, mas não é que eu gostava? Diante dos fatos, como dizer
não para um garoto daqueles? Fácil! Havia dois motivos para manter o meu nariz apontando para o céu: o cretino namorava três meninas ao mesmo tempo e
as tontas nem desconfiavam. O outro motivo era que, mesmo tendo superado o caso do banheiro feminino, se eu aceitasse namorá-lo estaria prestes a dar
o meu primeiro beijo e nada seria pior do que ser desmascarada pelo Murilo, a pior peste do universo.



Escrito pela Alê Félix
2, maio, 2003
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Escrito pela Alê Félix
1, maio, 2003
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Na alegria, na doença…
O casamento estava na fase do “já deu o que tinha que dar”. Quase não conversavam mais. Também… conversar sobre o que? Depois de tantos anos, nem
mesmo uma grande novidade, por mais nova que fosse, era boa de ouvir…
Para continuar lendo esta triste estória clique aqui.



Escrito pela Alê Félix
30, abril, 2003
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Eu choro quando escrevo. Não é sempre, óbvio. É uma droga! Não sei porque diabos isto acontece, só sei que eu choro. Não é TPM, não é depressão, não
é tristeza, não é porra nenhuma. São só lágrimas, lágrimas do fundo do peito.
Choro como se estivessem arrancando um treco de dentro de mim. Choro porque, talvez, escrever seja uma espécie de parto. Um parto carregado das dores
do mundo ou da estranha alegria de um nascimento.



Escrito pela Alê Félix
30, abril, 2003
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Na hora certa, eu conto tudo.



Escrito pela Alê Félix
28, abril, 2003
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Sempre ouvi, mesmo que baixinho, músicas tocando ao fundo de cada momento da minha vida. Não sabia que inconscientemente eu, desde criança, escolhia
minha trilha sonora.
Durante alguns anos carreguei, para cima e para baixo, uma vitrola que eu ganhei do meu pai. Junto com a vitrola vieram dois compactos com músicas
que eu amava de paixão. Um disco da Perla (que de um lado tocava Pequenina e do outro Fernando) e outro que tocava Cachito com Nat King Cole.
Eu passava os dias com um microfone imaginário cantarolando e imitando a Perla ou jogando o bumbum de um lado para o outro ao som de cachito,
cachito, cachito mio…
Com o tempo, a Perla parou de tocar nas rádios, a vitrolinha quebrou e foi trocada por um três em um espetaculoso. Os disquinhos ficaram riscados o
suficiente para que eu os esquecesse nos caixotes de quinquilharias que guardavamos no porão.
Xeretando no Kazaa agora há pouco encontrei sem querer um paraguaio que sacodiu a poeira da minha memória com seus arquivos de mp3 e trouxe à tona
todas estas lembranças.
Chorei como uma boba ouvindo Pequenina. Chorei, aumentei minhas caixinhas de som no último volume, tranquei a porta do escritório, ajustei meu velho
microfone e lembrei até das coreografias. Não sei exatamente o porquê, mas me deu uma vontade louca de atravessar a cidade só para acordar os meus
pais e dar um beijo de bom dia na bochecha deles. Do mesmo jeito que eu fazia nos fins de semana, quando me enfiava embaixo das cobertas pela manhã
para poder dormir um pouco na cama grande. Me deu saudade. Saudade dos tempos que morávamos juntos, saudade do meu pai conferindo a minha lição de
casa, saudade de olhar minha mãe escovando os cabelos longos e escuros na antiga penteadeira, saudade da família reunida para tomar café da manhã aos
domingo, saudade de tudo que me assusta ter esquecido… saudade da vitrolinha verde e das canções que ela tocou pra mim.
Pequenina – Perla
Pequenina do meu amor. Vem correndo para os meus braços.
Eu guardo pra você os mais caros e lindos sonhos.
Vai sorrindo para o mundo ao redor. Tudo é novo e belo aos seus olhos.
Desconhece o mal, desse mundo de gente grande.
Pequenina do meu amor. Ser criança é como ser uma gaivota livre.
Tudo é feito pra brincar. Como é bom viver descobrindo o seu encanto.
Tiquitita do meu amor. Sabe até contar um, dois, três e mostra os dedinhos.
E me encanta o seu olhar, seu olhar de amor, seu sorriso tiquitita.
Seu olhar, confiança e amor. Seu sorriso, pequenina.
Tiquitita do meu amor. A boneca entre os braços. Seu vestidinho branco e lacinhos nos cabelos.
As estrelas brilham no céu, mas não brilham mais que seus olhos.
Vai, você vai crescer… ai que pena, ai que pena…



Escrito pela Alê Félix
27, abril, 2003
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Recebi o livro da Ana Maria há algum tempo. Por conta do lançamento da Daniela,
só comecei a lê-lo ontem.
De cara me simpatizei pela história da Ana. Essa moça corajosa morou durante cinco meses na Ilha de Itaparica. Largou tudo e foi escrever seu livro,
seu primeiro livro. Como se não bastasse e para que o sonho não acabasse no ponto final das 312 páginas do “Ao Lado e à Margem do Que Sentes Por
Mim”
, Ana Maria ainda bancou a edição do livro e está correndo o país para divulgá-lo. E está dando certo. Não tinha como não dar.

HOJE
Noite de Autógrafos em São Paulo
Data : 26/04 – sábado
Horário: à partir das 20:30h
Local: Bar Conexión Caribe
Rua Belmiro Braga, 200 – Vila Madalena



Escrito pela Alê Félix
26, abril, 2003
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mente confusa e dedos adormecidos. Por isso, enquanto o corpo não reage, vou ficar com as fotos.


Foto roubada, ontem, da página de abertura do Uol.



Escrito pela Alê Félix
24, abril, 2003
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