Depois de uma semana complicada resolvendo questões burocráticas da vida e, depois de ter tido a coragem de
aproveitar melhor o carro que eu tenho (explico melhor no decorrer da semana), decidi sair da Nabucodonosor (lar
doce lar).
O Hugo me ligou quase meia noite
pra dizer que só haviam, até então, sete pessoas na festa. Pensei comigo: vou para consolá-los. Esses
blogueiros, que dizem que existem, são na verdade seres de araque que só prometem e dão desculpas para encontros
reais.
Cheguei na festa quase uma da manhã e os números estavam bem mais animadores. Alguns velhos amigos, outros
amigos novos, outros se apresentando, mas todos de alguma forma linkados. Foi bem legal. Minhas teorias, sobre
leitores de blogs não existirem, estão temporariamente canceladas. Há muitos bundões escondidos em suas tocas,
mas há também quem curta meter a cara na parada. Estou de ressaca.
Beijo na bunda e até segunda.
Ou, quem sabe, até hoje à noite com chat aberto.



Escrito pela Alê Félix
23, novembro, 2003
Compartilhe

Não é à toa que a cada dia que passa gosto menos de vida social. Aqui é bom. Não dá a mínima vontade de
sair. Tem playstation, um green com taco e bolinhas decentes no meio da sala, banda larga até para as visitas,
guloseimas delivery e música ao vivo da melhor qualidade. Essa hora da manhã e o flautista-cabeludo-erudito do
prédio da frente já está a postos. O rapaz é disciplinadissimo. Vira e mexe, uma cantora de ópera que eu ainda
não sei onde mora, também dá o ar da sua graça. Ela eu nunca vi, mas pela voz deve ser uma senhora gordinha. Não
consigo imaginar uma contora de ópera magrela. Parece tão sem sal. De vez em quando, eu fico daqui tentando
imitá-la. Mas de cantora de ópera eu só tenho o gordinha.
E tem o som da senhora pianista da casa com piscina regan. Suas aulas transformam essa casa em um cenário de
filme. É engraçado passar os dias com a trilha sonora oferecida pelos meus vizinhos…
Bom, isto é um convite. Escolham um horário e venham quando quiserem, mas não me chamem mais para sair.



Escrito pela Alê Félix
23, novembro, 2003
Comentários desativados em Nabucodonosor
Compartilhe

Eu tenho a impressão que leitores de blogs não existem. Desconfio disso há algum tempo, mas amanhã eu
escrevo sobre isto. Vou até a esquina procurar provas que comprovem minha teoria e já volto.
Fui.



Escrito pela Alê Félix
22, novembro, 2003
Compartilhe

Minha linha da vida me confunde – até hoje não consegui entender direito qual é a dela. Me parece curta
demais para um corpo que tem pretensões de viver pra sempre. Talvez seja por isso que optei por viver como se o
meu fim fosse sempre no dia seguinte. O Veríssimo, o filho, diria que um dia eu acerto. C’est la vie! Não
me importo. Enquanto eu vivo assim, tento fazer tudo que me der na veneta. Nada vai me prender tanto para que eu
fique para sempre. Era simples, agora não é mais. Estou na fase onde a linha está repleta de rupturas e, de
alguns anos para cá, tudo dói. O descomprometimento me causa uma tristeza quase uterina. É como se eu tivesse
dito “nãos” demais, como se pudesse ter a independência e todos os caprichos sob controle. Minha vida me traiu.
Minhas atitudes me distanciam de um passado recente e me acorrentam a épocas perdidas. Eu achava que, diferente,
não doeria. Engano, grande engano.
Caminhos simples distraem muito mais a mente. Dão a sensação de que há muito pra se viver. Gostaria de saber
onde foram parar minhas linhas do trabalho e da família. A ausência delas me encheu a vida de culpa e certezas.
Tornou-me uma alma solitária em um mundo onde ninguém deveria ser sozinho. Eu me perdi. E talvez esteja cega. Se
eu estiver, espero que seja pra sempre. Prefiro aprender a andar de olhos fechados do que passar a vida dando
cabeçadas e perceber, com o tempo, que eles sempre estiveram abertos. Maldita e breve linha da vida.
Minha sorte, veio traçada em anéis de Vênus. Dou graças por eles. Tanto na mão direita quanto na esquerda, devem
ser eles que me protegem dos finais tristes. Talvez eu não precisasse de dois. Vivo teimando em dividí-los. Mas
como dividir as marcas da minha existência? Guardarei meus anéis. Deve haver uma explicação pra eu ter nascido
com dois. Alguém deve ter achado que eu precisaria de sorte dobrada… Tomara. Não suporto a idéia de que eu
posso ter roubado um deles, na fila para o nascimento. Eu e a minha culpa, maldita culpa.
No mais, meu maior prazer é a minha profunda linha do coração. É para ela que eu gosto de olhar. Porque é só ela
que me oferece algum tipo de futuro. O resto, é só passado e uma mente imersa no caos.



Escrito pela Alê Félix
22, novembro, 2003
Compartilhe

Mande você também a sua história do primeiro beijo. Se ela foi uma nhéca mole que não vale a pena ser
contada, invente uma. Eu coloco aqui do mesmo jeito. 😉 Mas vê se manda por e-mail, não vá colocá-la nos
comentários porque perde a graça.


Meu primeiro beijo foi bem ridículo. Eu tinha 12 anos e estava sentada na portaria do meu prédio, quando o
Marcelinho, o menino mais bonitinho da rua chegou para falar comigo com um chocolate Bis na mão. Sentou nos
degraus ao meu lado e disse:
– Oi Carol, quer chocolate?
Eu estava com muita vergonha e não respondi nada. Só vi quando ele me puxou e me deu um beijão. Eu, que já sou
rosa, fiquei vermelha, quase roxa. Não sabia o que fazer com aquela linguona no meio da minha boca. Dei-lhe um
empurrão e corri pra casa.
Naquela noite, fui dormir sonhando com Marcelinho, apaixonada, pensando em um beijo totalmente desconjuntado. E,
no dia seguinte, meu pai me acordou perguntando:
– Que história é essa que o porteiro veio me contar que você estava namorando lá embaixo?
E a minha cara pra falar alguma coisa? Fiquei de castigo, mas nunca mais dei bandeira. Imagine se depois disso
ele fosse me colocar de castigo todas as vezes que eu beijei na boca? Eu hein!



Escrito por uma moça baiana cheia de apelidos e que mora em algum lugar entre o caminho das árvores. Para
saber um pouco mais sobre a Carol Eulalio, clique aqui.



Escrito pela Alê Félix
20, novembro, 2003
Compartilhe

O blog começa a lhe fazer mal quando…

  • As pessoas perguntam como foi seu dia e você diz para lerem no blog.
  • Deixa de sair com os amigos para ler comentários.
  • Cria um personagem fictício para comentar no próprio blog.
  • Comenta em vários blogs qualquer coisa, só para fazer propaganda do seu.
  • Dá reload no blog várias vezes para aumentar o número de visitas no contador.
  • Só escreve sobre assuntos que vão lhe render visitas através dos sites de busca.
  • Nunca leu um livro, mas acha que pode escrever alguns.
  • Acha que um dia pode concorrer à ABL.
  • Fica arrasado com críticas e nem consegue dormir.
  • Quando está com outras pessoas, só fala de blogs e posts.
  • Perde completamente a noção de privacidade, põe na banca as piores histórias da família e dos amigos e ainda
    dá nome, endereço e telefone de todo mundo.

  • Não consegue ficar um minuto sequer longe do micro.
  • Quando está longe, não vê a hora de voltar pra casa, conferir as estatísticas, os comentários e escrever
    sobre a sua preocupação em voltar logo para frente do micro.

  • Acha que as pessoas vão surtar se você deletar seu blog e desaparecer.
  • Passa o dia pensando no que postar.
  • Fica deprimido se não há o que escrever.
  • Fica deprimido porque ninguém comenta os seus posts.
  • Fica deprimido se o número de visitantes diminui.
  • Comemora sempre que o contador bate os números redondos.
  • Passa o dia fazendo propaganda do próprio site.
  • Quando entra em um banheiro público, deixa o endereço do blog atrás da porta.
  • Não agüenta nem ouvir falar a palavra blog.
  • Já pensou em tornar-se um serial killer de blogueiros.
  • Colocou uma foto no último post e não vê a hora de ser reconhecido nas ruas.
  • Os fotologs irão transformá-lo em um super astro.
  • Não desgruda mais da máquina fotográfica. Toda imagem vale um post.
  • Não vê a hora de acontecer um novo encontro de blogueiros.
  • Acha que é famoso.
  • Acha que é engraçado.
  • Acha que deveria receber pra escrever no blog.
  • Acha que sua vida vale um filme.
  • Acha que é escritor.
  • Acha que a sua vida é uma merda, mas que ficaria insuportável sem o blog.
  • Acha que é interessante e que suas histórias são impagáveis.
  • Transforma qualquer assunto besta em confusão só pra chamar atenção.
  • Acha que criticar tudo e todos é uma tática bastante original para o blog e você serem admirados.
  • Vive colocando seu nome e o do blog no Google pra ver quem escreveu sobre você.
  • Quando não tem nada para fazer, procura erros de português no blog dos outros.
  • Senta a boca nos comentários dos blogs populares só para ganhar notoriedade.
  • Sabe que tem um português sofrível, mas diz que não se importa e capricha nos erros.
  • Fica indignado ao ver que o seu blog não saiu nas indicações do No Mínimo, Globo, Blogger, Blig e outros.
  • Manda fazer cartões de visita com o endereço do blog.
  • Passa mais de oito horas por dia gerenciando o próprio blog.
  • Noventa e nove por cento dos seus amigos tem blog.
  • Seus últimos relacionamentos amorosos começaram via sistema de comentários.
  • Terminou o namoro via post.
  • Já pensou em pedir as contas do emprego para se dedicar mais ao blog.
  • Quando está com amigos blogueiros e tem uma idéia para um post, avisa logo: “Eu primeiro! Idéia minha! Post
    meu!”

  • Não perde a oportunidade de ser o primeiro a comentar um post.
  • Sempre que é o primeiro a comentar um post escreve: “Primeiroooooo!”
  • Só encontra seus amigos via ICQ, MSN…
  • Coloca no blog a foto de alguém que não é você, mas jura de pés juntos que é.
  • Quando viaja, não relaxa até achar um cyber café.
  • Fica de mau-humor quando o blog ou suas ferramentas saem do ar.
  • O Weblogger já te deixou de cama por três dias.
  • Anda de um lado para o outro quando o blog sai do ar.
  • Só se relaciona com blogueiros famosos e ignora qualquer um que tenha menos de cem visitas diárias.
  • Fica emocionado quando ganha um award e agradece como se tivesse ganhado o Oscar.
  • Você se informa das novidades pelo Top Links.
  • Anda na rua achando que todos sabem quem você é.
  • Verifica as estatísticas dos blogs antes de se dar ao trabalho de comentar.
  • Já namorou o(a) autor(a) de um blog popular só para ganhar um link.
  • Acha que um link no seu blog vale mais do que ouro em Serra Pelada.
  • Não linka ninguém porque acha que não há blog melhor que o seu.
  • Não linka ninguém porque não quer concorrência.
  • Linka todo mundo porque quer links de todo mundo.
  • Quando você dorme sonha com um template novo.
  • Coloca scripts para evitar que copiem seus textos e imagens utilizando o teclado e o botão direito do mouse.
  • Já pensou em colocar espaço para publicidade no blog.
  • O computador pifa e você pifa junto.
  • A internet fica lenta e você liga no provedor e xinga até a mãe dos atendentes.
  • Não suporta mais escrever no blog, mas não o deleta porque desaprendeu a viver sem comentários.
  • Você grita, se descabela e esmurra o computador quando expira o tempo de postagem e você perde um post
    inteirinho.

  • Seus últimos sonhos de consumo estão todos relacionados ao blog: notebook, câmera digital, webcam, speed…
  • Passa o dia atualizando o blog só para aparecer no Fresh Blogs.
  • Tem custos altíssimos para manter o blog como: domínio próprio, hospedagem, tráfego adicional, etc.
  • Quando está com amigos blogueiros fica calado para evitar que suas idéias sejam usadas por eles.
  • Já pensou em vender o blog, passar o ponto.
  • Pensa seriamente em colocar uma foto sua de nu frontal com o endereço do blog pra ver se ela vira spam e o
    sucesso te leva pra televisão, revistas…

  • Acha que o blog é a sua grande chance de tornar-se uma celebridade.
  • Mente descaradamente, mesmo com o contador aberto, sobre o seu número de visitas.
  • Mente descaradamente sobre o seu número de visitas e, pra não deixar rastro, desapareceu com o serviço
    aberto de estatística.

  • Copia descaradamente velhas idéias e espalha que elas são suas na maior cara de pau.
  • Deseja esganar um pescocinho quando vê que copiaram um texto e ignoraram a autoria (a propósito, este texto
    foi escrito por Alê Félix, do www.alefelix.com.br)

  • Encontra esta porcaria de texto, percebe que esqueceu de citar diversos malefícios causados pelo seu novo
    vicio, o atualiza e perde mais alguns minutos da sua vida postando no blog.


Escrito pela Alê Félix
19, novembro, 2003
Compartilhe

No videotexto, qualquer conversa limitava-se ao uso das palavras. O monitor de tela verde e a conexão de
1200 bps só nos permitia sonhar com imagens descritas, nada além disso.
Provocar um homem significava estimular a sua imaginação e a sua inteligência, o que transformou a experiência
do sexo virtual em conversas que duraram, no máximo, um minuto e meio. Não demorou muito para que eu percebesse
que, ao contrário dos rapazes, eu precisava de preliminares virtuais. Era querer demais, já que muitos deles não
sabiam como uma mulher funcionava nem se estivesse ao lado dela.
Só de vingança, decidi desmascará-los. Entrei com um apelido provocante e diferente do habitual e comecei a
conversar somente com aqueles que eu sabia que freqüentavam os encontros do videotexto. Eu nunca havia ido em
um, mas sabia quem ia e decidi testá-los.
Falar sobre sexo protegida pelo anonimato, me permitia saber o quão imbecis ou interessantes eles eram mas, mais
do que um teste, a brincadeira foi, acima de tudo, divertida.
Homens são definitivamente os bichos mais abestalhados da face da Terra. A mulher pode ser a maior baranga,
dizer que é baranga, mas basta escrever diferente para os trouxas se abrirem como malas velhas. Era patético!
Tudo que eu escrevia podia ter um milhão de interpretações, mas mesmo assim eles babavam. Pena que eu não tinha
nem paciência, nem tesão por homens bobões – teria rido o dobro.
No meio de tantos abobados, um moço auto-apelidado como “Locutor”, se mantinha interessado em saber quem eu era
sem me interrogar sobre como eu estava vestida. Engraçado e bem articulado, ignorei todos os outros chamados e
lhe dediquei exclusiva atenção. Não sei o que me deu. Passamos horas conversando; o dia estava quase amanhecendo
e nada de fazermos as perguntas básicas como idade, descrição física, estado civil e todas essas coisas. Quando
pensei sobre isso, pedi que ele me ligasse.
– Acho que eu estou com um metro e oitenta e sete de altura…
Ele não precisava mais dizer muita coisa, mas falou. Depois de ter escrito horas sem cometer erros gritantes de
português e nem usado as abreviações ridículas que eu odiava, ele me dava sua descrição ao pé do ouvido. Loiro,
cabelo comprido, olhos verdes, nem gordo nem magro, dezoito anos e uma voz de tirar o fôlego. Era um ano mais
novo que eu, mas tinha quase um metro e noventa. Desliguei o telefone ao mesmo tempo que um raio de sol
atravessava a janela e o galo da vizinha cantava. Minha boca, involuntariamente, escancarava um sorriso de um
canto ao outro do rosto. Eu estava apaixonada e aquilo era tudo que eu precisava pra me livrar do ex e do noivo.
———————>> Continua.
Clique aqui para ler o Post I – O
começo de toda a história do videotexto



Escrito pela Alê Félix
18, novembro, 2003
Compartilhe

De todas as palavras e frases jogadas no grande oráculo, a que eu mais gostei foi colocada hoje. Alguém
perguntou:
– Google, quero saber tudo sobre amores eternos.
E ele respondeu:
– Amarula com Sucrilhos, primeira página, segunda opção.
Não sei se a pessoa encontrou o que procurava, mas pensando bem, é só disso que a minha vida é composta. E,
ultimamente, é só sobre isso que eu tenho vontade de escrever. O resto parece bobagem.



Escrito pela Alê Félix
17, novembro, 2003
Compartilhe