Tem um tempo, ex-maridon me mostrou o blog de um cara que queria uma casa, mas só tinha criatividade, um blog e um clipe de papel vermelho. Bonitinho o clipe. Eu curti. Na época, olhei e pensei "Cara, não faço mais tanta questão de ter uma casa. Que diabos aconteceu comigo?".
Minha família nunca engoliu o fato de eu ter gasto tanto dinheiro com bobagens de todos os tipos e nunca ter comprado uma casa. Não que eu não sonhasse com ela, eu sonhei. Principalmente nos anos que estive casada. Mas sei lá... De repente, me vi cercada de sonhos "Silvio Santos", sabe? É sério. Todo mundo que cresceu com o Silvio dando casas no "Baú da Felicidade", carros no "Topa Tudo por Dinheiro" e namorados no "Namoro na TV", cresceu desejando que aquilo tudo acontecesse na própria vida - fosse por carta sorteada ou à prestação. E foi o que eu fiz. Mesmo me esforçando para ter mais ideais do que eletrodomésticos, vira e mexe, me pegava sonhando com casamento pra vida inteira, financiamento de apartamento, cheiro de carro zero quilômetros, férias na praia... Foi por um triz que não sabotei meu juízo alegando que talvez fosse divertido ter filhos e que isso nada tinha a ver com meu ego ou meu medo da solidão.
Deus do céu, que falta de criatividade é essa que toma conta do cérebro da gente? Esses sonhos nunca foram meus! Aposto que nem seus eles são. Quem começou com isso? Será que foi o Silvio ou ele foi só o moço que transformou nossas fragilidades em audiência?
Cansei desse kit-felicidade-classe-média, sabe? Passei anos enfurnada dentro de casa, trabalhando feito louca e fugindo dos outros e de mim mesma. Me escondi tanto que lembro de ter pensado que era Síndrome do Pânico. Quer viadagem maior? Devo ser a única maluca que chegou ao cúmulo de ter dois terapeutas. Pior! Um não sabia do outro porque eu tinha medo deles ficarem magoados com a minha necessidade absurda de ter uma segunda opinião. E sabem do que é que eu precisava? De gente. Precisava dar uma banana pra casa própria e cair na vida. Precisava redescobrir o sentimento de amizade nas ruas de Porto Alegre, voltar a ter fé com um beija-flor em São Jorge e escrever histórias de amor em Copacabana. Precisava de amigos, precisava de promoções aéreas, precisava voltar a sorrir e a fotografar. Precisava voltar a ser eu mesma.
Acho que foi por essas e outras que vi o blog do cara do One Red Paperclip e me encantei muito mais com as viagens que ele fazia para buscar os objetos que trocava, do que com o objetivo. No lugar dele, eu torceria pra casa demorar a chegar. A experiência deve ter sido muito mais legal do que o resultado final. Deve ser porque minha felicidade é barata pra cacete, sabe? Gosto de descobrir uma cidade através dos olhos dos moradores, gosto de ouvir as histórias de vida dos outros e andar pelos centros sem ter cara de turista. Pra mim, essas coisas não têm preço e custam menos do que a viagem dos sonhos que tentam nos vender. Se eu e o cara do paperclip estivéssemos na cabine do "Domingo no Parque", ele sairia feliz se tivesse dito "Siiim!" pra casa própria e eu sairia puta da vida se tivesse dito "Nããão!" pro monte de lugares e pessoas que ele conheceu. Por isso meus amores, com a diferença que não faço questão da casa, decidi plagiá-lo na caruda. Faz tempo que estou procurando uma boa desculpa pra rodar o país. O cara do clipe vermelho acaba de me dar uma.
Encontrei uma garrafa-miniatura de amarula no meio das minhas tranqueiras. A coisa vai funcionar assim ó: estou afim de trocar a garrafinha por outra coisa. Se você quiser, pense em algo que queira trocar e me escreva com a sua proposta. Eu vou até você, onde quer que esteja. Do Oiapoque ao Chui ou aqui mesmo em São Paulo, se a troca me interessar, me espera que eu vou. Bóra trocar links, posts, fotos, jogar conversa fora e torcer para que a vida nos surpreenda no final.
E-mail com o seu "oi", mais a descrição e foto do objeto a ser trocado, envie no e-mail: alefelix@gmail.com
Beijaço! Tô animada com esse trem.
Comentários (10)
Mana, acho que o teste funcionou.
Por Menina-Prodígio | agosto 24, 2006 1:48 PM
Que do cacete, Ale! Eu adoraria conhecer vc. Vou ver aqui em casa o que eu tenho pra trocar. Vem pra Ribeirão Preto, Alêêê!
Por Patricia | setembro 24, 2006 8:59 PM
caraca!!! vc me surpreende sempre Ale...a gente se conhece a tanto tempo e eu ainda me surpreendo com tamanha audácia e coragem...parabéns MULHER!!! exatamente por isso eu acredito em vc...um beijo enorme e boa sorte na troca...rsrsrs...acho que vou fuçar nas minhas coisas e ver algo que eu possa te chantagear kkkk...brincadeira ...bjos
Por katia hokamura | setembro 24, 2006 10:17 PM
uhu!
tô de mudança!
certeza q acho alguma coisa aqui..
aguarde meu email...
bjosss
Por aline bottcher | setembro 25, 2006 1:07 AM
Alê, você é do cacete! De repente, me fez imaginar o que eu poderia trocar pela garrafinha de amarula. 5 periquitos australianos que "ganhei" sem querer porque os bichinhos estavam morrendo de fome numa casa abandonada cujo dono viajou às pressas para o exterior? O primeiro disco gravado por Raul Seixas, quando ele ainda era Raulzito e seus Panteras? Sei lá! Preciso pensar em algo bem interessante.
Por José Alberto Farias | setembro 25, 2006 5:12 PM
wolvs! qdo crescer quero ser que nem você ^^
Por nielphine | setembro 29, 2006 11:08 AM
eu sou sua fã!
seu texto me fez pensar e muito! Pior coisa é procurar felicidade em modelos pré estabelecidos...
e...
será que eu tenho algo legal para trocar? :D
Por Janaina | setembro 29, 2006 4:42 PM
Eu leio seu blog há anos e sempre tive a impressão de que você contava uma história que não era sua. Era um tal de falar de marido, pensar em ter filhos, etc. Eu tinha a impressão que você vivia uma vida que não era sua.
Agora comecei finalmente a ter a impressão de que você está contando histórias suas e de que você está vivendo uma vida que é sua. Parabéns.
Por Daniela Castilho | setembro 30, 2006 11:37 PM
lindao o texto!
lindao mesmo!
:)
beijo grande
Por sacanitas | outubro 13, 2006 1:20 AM
lindao o texto!
lindao mesmo!
:)
beijo grande
Por sacanitas | outubro 13, 2006 1:20 AM